quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Clariciando...


“É na escura solidão que meus pensamentos clareiam-se, e as ideias fluem como mares a serem navegados.”
(Sabrina Silva)

Criando Felicidade...

"Ser feliz vai da criatividade de cada um. Não tente copiar ninguém. Seja capaz de criar aquilo que será só seu."
(Sabrina Silva)

Sonhos e Ilusões em Mim...



No fraco pôr-do-sol me fortaleço
Alaranjado sobre as pastagens
No prata das estrelas reconheço
Um sonho de mistérios e mensagens
Nas marcas e detalhes dos meus negros violões
Passeando toco e canto novas ilusões em mim
Em mim
Ilusões encantadoras seguem
Como seguem ventos pelos campos
Passam no meu peito, me perseguem
Depois se vão perante o meu espanto
Doces que se molham na saliva da emoção
Vão se derretendo, logo viram solidão em mim
Em mim
É fácil explicar, difícil é entender a dor, amor
Os sonhos e ilusões, climas e paixões em mim
Em mim

(Victor Chaves)

domingo, 21 de agosto de 2011

Apague a luz da sensatez...


Magnífica lua que brilha nos céus e apaixona os humanos. Lua que representa os sonhos. E é disso que carecemos, de sonhos. Errado pensar que só os insensatos sonham. Às vezes, a única fuga que temos é o mundo da lua. Lugar onde magia e verdade se unem fazendo nascer uma esperança que é de cada um. A nossa própria esperança. Aquela que aquecerá todos os nossos problemas e que jamais aceitará a negatividade que a realidade nos oferece. E, quem sabe, as coisas sejam melhores por lá. Os sentimentos podem ser bons, as pessoas podem ser verdadeiras, nós podemos ser estrelas. Estrelas que são guiadas pela lua de brilho incansável e de sede de imaginação. Seja imaginação, seja sonho, seja lua, seja uma estrela que incandescerá em si mesmo.
Sabrina Silva

Trilhando...

"Deixam rastros para que sejam seguidos. Deixam palavras para que sejam ouvidas. Dentre rastros e palavras, deixam os corações para que sejam amados."
(Sabrina Silva)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O que escrever em seu túmulo se você é...

ESPÍRITA
Volto já.

INTERNAUTA
www.aquijaz.com.br

AGRÔNOMO
Favor regar o solo com Neguvon. Evita Vermes.

ALCOÓLATRA 
Enfim, sóbrio.

ARQUEÓLOGO
Enfim, fóssil.

ASSISTENTE SOCIAL
Alguém aí, me ajude!

MANO
Fui.
 
CARTUNISTA
Partiu sem deixar traços.

POLICIAL  
Tá olhando o quê? Circulando, circulando...

ECOLOGISTA
Entrei em extinção.

ENÓLOGO
Cadáver envelhecido em caixão de carvalho, aroma Formol e after tasting que denota presença de Microorganismos diversos.

FUNCIONÁRIO PÚBLICO
É no túmulo ao lado.

GARANHÃO
Rígido, como sempre.

GAY
Virei purpurina.

HERÓI
Corri para o lado errado.

HIPOCONDRÍACO  
Eu não disse que estava doente?!?!

HUMORISTA
Isto não tem a menor graça.

JANGADEIRO DIABÉTICO
Foi doce morrer no mar.

JUDEU
O que vocês estão fazendo aqui? Quem está tomando Conta do lojinha?

PESSIMISTA 
Aposto que está fazendo o maior frio no inferno.

PSICANALISTA 
A eternidade não passa de um complexo de superioridade mal resolvido.

SANITARISTA
Sujou!!!

SEX SYMBOL 
Agora, só a terra vai comer.

VICIADO 
Enfim, pó!
 
ADVOGADO
Disseram que morri...mas vou recorrer!!
 
 
 
Escolha o seu!  *-* 

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Bailam as folhas...


Ser simples é complexo demais. É tão simples ver as folhas caírem no outono, vê-las secarem e transformarem-se em pó. Difícil mesmo é interpretá-las. Ali está o ciclo da vida. Somos folhas caindo das árvores que bailam descompassadas a melodia do vento. Vento esse que nos tornará pó. Aquelas folhas que não dançam escorregam mais rápido e perdem o pôr-do-sol que as iluminam. E até que toquem no chão, as dançarinas folhas aprendem que o importante mesmo é participar do show, e saem sob aplausos do palco espetacular chamado VIDA. E então...Essa é a hora...Vamos dançar?
 Sabrina Silva

Foto feita por Ana Lemes, que me cobrou essa postagem. Tá aí sua foto, cocozinho de pomba *-*

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Os apaixonados são corajosos...


"Quando se ama tudo é mais que cor de rosa, é um arco-íris completo. As coisas mais simples despertam sorrisos, que muitas vezes se desprendem imperceptíveis e cada vez mais corriqueiros. As belas mensagens, com poucas palavras, muitos “eu te amo” e um “sz” no final alegram qualquer dia. Eu acho tão lindo estar apaixonado, ser inconsequente, não ter medo de sentir, não ter medo de ter amor. Os apaixonados são corajosos. Possuem coragem de dividir, coragem de brigar, coragem de pedir desculpas e, principalmente, têm coragem de ser feliz. E que tudo que se faça seja pelo amor, nem que pareça impossível, nem que você seja uma gueixa e ele um árabe (risos)."


Deixo aqui uma pequena e singela felicitação ao casal Andressa Mara e Silas Henrique que comemoraram os 4 meses que se conheceram. Felicidades!

Sabrina Silva

sábado, 6 de agosto de 2011

“O que antes as palavras queriam dizer, hoje choram os olhos sem saber.”
 (Sabrina Silva)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Precisa-se, e muito...


"Quantas vezes dizemos "Não Precisa" sendo que, na verdade, é tudo o que mais queríamos? Todos têm necessidades, e a necessidade de amar é uma delas. Não se negue esse direito. Ninguém será feliz por você, a não ser você mesmo. Não diga não precisa, pois o que mais precisamos nesse mundo é de amor!"
(Sabrina Silva)

Determinação...

 
A Banda Ls Jack de volta aos palcos. Recuperando-se de um acidente cirúrgico, Marcus Menna brilha no palco e emociona à todos.
"E você, ainda tem coragem de dizer que não é capaz de dar a volta por cima?"

domingo, 31 de julho de 2011

Por quê? Ah, sei lá

            Perguntamos demais e somos insaciáveis comilões de respostas. Tudo tem que ter um porquê, tudo tem que ter um significado, tudo tem que ter uma resposta. Mas nunca parou-se pra pensar que não precisamos de respostas pra tudo.
Imagine uma parede branca, sem nada mesmo. Aí eu te pergunto:
-Por que ela é assim?
E você me responde com sagacidade:
-O dono quis assim, oras.
Muito bem, e eu volto a te perguntar:
-Mas, por que o dono quis assim?
E você, rindo da minha pergunta, responde:
-Pois, ele deve gostar assim ué!
Eu, insistentemente, pergunto:
-Por que ele gosta assim?
Das duas uma, ou você me manda pra ‘aquele’ lugar, ou você responde educadamente:
-Ah, sei lá!
Eis que chegamos onde deveríamos chegar, no ‘sei lá’. Ficar sem resposta pra uma situação não é de todo mal assim. Os ‘sei lás’ podem responder muito mais do que pensamos. Eu gosto de ‘sei lás’, gosto de pessoas que não têm resposta pra tudo, pois elas pensam e, pensar é melhor que justificar.
Pensar nos leva a refletir, e a reflexão nem sempre nos dá uma resposta pronta. Talvez por isso não refletimos com tanta frequência como deveríamos. Refletir é analisar o caminho que se faz até uma resposta, e se não houver resposta não há problema, refletiu-se e isso já é aprendizado demais, saiba conduzi-lo.  
Essa nossa mania de justificativa nos remete a muitos caminhos que, às vezes, são desnecessários. E sabem por que somos assim? Por medo. Temos medo de sermos menos inteligentes que os demais, queremos ter resposta na ponta da língua, queremos ser mais. E sabem mais um porquê? Pois somos ambiciosos. Possuímos uma sede de destaque que nos leva aos porquês.
Analisem que, não precisamos de tantas respostas. Afinal, você sabe o porquê da sua existência? (Não levemos isto pra o lado religioso, veja bem, este não é o foco). Não temos resposta pra isso, pois nosso objetivo aqui é viver e não perguntar. Objetivo não é resposta, é função. Viva e não pergunte, sabe por quê? Sei Lá!

Sabrina Silva

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Tem-se medo de cicatrizes...


Medos abruptos
Me rondam,
São políticos corruptos
Que me sondam,
Para que um dia
Eu venha a ceder,
Num brilhar que sorria
E hoje começa a morrer.

Não falta coragem
Porém, existe a sabotagem
De uma certa determinação,
Que inibe o que um dia chamou-se coração.

Não quero esconder,
Nem ao menos mostrar,
As cicatrizes que me fizeram sofrer
Agora vão me lembrar
Que lutei, chorei,
Perdi ou venci,
Na certeza de que ousei,
E talvez por isso sobrevivi. 

(Sabrina Silva)

Nããããão...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Não sabem que viver é por si só um dom...

"Não sabem que viver é por si só um dom, além de uma grande responsabilidade. Vida é trabalho e trabalho é o exercício de lapidar-se. É por amor a mim e às pessoas que digo: Busquemos aprimoramento, educação, espiritualidade e sejamos felizes da única maneira possível: Vivendo nossas próprias vidas, não as dos outros. Nossa sociedade, especialista em julgamentos, possui grandes potências em emitir opiniões, adornar conceitos e criar rótulos vendáveis. Você será mais um a dizer que sua opinião é sua, usando a opinião dos outros? A escolha é de cada um."

(Victor Chaves - Nossa Vida)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Só estou tentando deixar as coisas um pouco mais bonitas...

“Sei lá, tem sempre um pôr-do-sol esperando para ser visto. Uma árvore, um pássaro, um rio, uma nuvem… Pelo menos sorria. Procure sentir amor. Imagine. Invente. Sonhe. Voe. Se a realidade te alimenta com merda, meu irmão, a mente pode te alimentar com flores… Eu não estou fazendo nada de errado. Só estou tentando deixar as coisas um pouco mais bonitas.”
(Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Banho quente é coisa de gente solitária...


O banho quente pode não curar as feridas de um coração solitário, mas alivia as dores. Ao menos é o que garante um estudo da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, que associou tempo gasto no banho, água a altas temperaturas e sentimento de exclusão social.
A pesquisa analisou o comportamento de 400 voluntários, com idades entre 18 e 65 anos. Aqueles que se sentiam solitários demoravam, em média, 25% a mais no banho e preferiam água quente. Para John A. Bargh, coautor da pesquisa e especialista em ciência cognitiva, o banho quente e demorado pode provocar a mesma sensação de satisfação que a motivada pelo calor físico proveniente de outra pessoa.
Segundo o psicólogo, o sentimento de solidão, quando muito intenso, pode provocar pequenas reduções na temperatura corpórea. Daí, a predisposição do ser humano a buscar contato com a água quente. “É o que chamamos de autorregulação”, diz Bargh.
Idit Shalev, outra coautora do estudo, acrescenta que esse comportamento é inconsciente. Os pesquisadores o associam ao sentimento de segurança que os bebês experimentam ao serem colocados em contato com o corpo da mãe. A criança para de chorar, sem dar-se conta, é claro, que a temperatura é a principal razão para a sensação de conforto.
A correlação entre solidão e sensação de frio não é novidade para pesquisadores. De acordo com a psicoterapeuta Karina Haddad Mussa, especialista em psicologia cognitiva comportamental pelo Albert Ellis Institute, de Nova York, a conclusão da pesquisa americana ajuda a entender por que nosso organismo necessita de calor em casos de solidão patológica, em que há desequilíbrios no organismo, com sintomas físicos. É uma situação diferente das pessoas que, embora sós, sentem-se bem.
A exclusão social, de acordo com a psicóloga, causa distress (stress prejudicial à saúde), quadro que leva à hipotermia. Nesse estágio, as pessoas apresentam queda de temperatura corpórea, especialmente nas extremidades do organismo. O banho quente, nesse caso, tem a função de equilibrar o organismo por meio do controle de temperatura.
“Todos os nossos sentidos são importantes, mas a pele é abrangente e contorna todo o corpo. Isso transforma o tato em um dos sentidos mais relevantes”, diz a especialista. “É por essa razão que o banho quente acalenta as pessoas. O contato com a água transmite a sensação de proteção e equilibra, biologicamente, o organismo”, completa.
A psicoterapeuta acrescenta que o banho de banheira ativa a memoria corporal, recuperando a sensação que experimentamos no útero materno. Isso faz com que as pessoas se sintam ainda mais confortáveis e em segurança quando imersas na água quente.
 

terça-feira, 19 de julho de 2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A jabuticabeira florida...

 "A jabuticabeira florida era epifania de uma felicidade de época. Alegrias com cores de novembro. Chuvas torrenciais que nos permitiam prazeres delicados. Observar a metamorfose das flores em frutos era satisfação sem preço. A natureza costurada de regras consumava diante de nossos olhos o ditado bíblico, de que debaixo do céu há um tempo para cada coisa. Era o tempo alinhavando os destinos das floradas, enquanto no silêncio do coração uma primavera fora de hora insistia em lançar pequenos brotos." 
(Fábio de Melo)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Sozinha em casa...

"Sozinha em casa em uma sexta-feira, deitada no chão e pensando em um velho amor… ou na falta de um." 
(John Mayer)

Harry Potter nos ensinou...

"Harry Potter nos ensinou que a vida talvez não se revele do jeito que esperávamos, mas contanto que você nunca perca a visão do futuro que você quer, nada pode acontecer." 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Eu sinto medo, sabe?


"Eu sinto medo, sabe? Medo do futuro e do que ele me reserva. medo de onde as minhas ações podem me levar. Medo de por quem o meu coração vai se apaixonar, e de se essa pessoa vai acabar me machucando, como tantas outras fizeram. Eu tenho medo de ser esquecida, ou lembrada com amargura. Tenho medo de cometer os mesmos erros de novo, e de novo e de novo… Eu tenho medo, mas nem por isso vou deixar de lutar."  (-SuasEntrelinhas)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Agora convoquem o amor pra resolver esta encrenca...

 Gostar do que é gostável é fácil: gentileza, bom humor, inteligência, simpatia, tudo isso a gente tem em estoque. Os defeitos ficam guardadinhos nos primeiros dias e só então, com a convivência, vão saindo do esconderijo e revelando-se no dia a dia. Você então descobre que ele não é apenas gentil e doce, mas também um tremendo casca-grossa quando trata os próprios funcionários. E ela não é apenas segura e determinada, mas uma chorona que passa 20 dias por mês com TPM. E que ele ronca, e que ela diz palavrão demais, e que ele é supersticioso por bobagens, e que ela enjoa na estrada…E agora? Agora convoquem o amor pra resolver esta encrenca.
(Martha Medeiros)

Sempre vai ter alguém que vai te enxergar quando você for invisível...

Criança: Vovó…
Avó: Sim, querido?
Criança: Eu acho que eu tenho super poderes. Posso ficar invisível.
Avó: Por que, querido?
Criança: Porque eu levei uma flor pra Carlinha e eu fiquei olhando pra ela e sorrindo, mas ela passou reto por mim e foi encontrar um garoto da segunda série.
Avó: Mas isso não é ser invisível, querido. A garota não te viu porque foi boba, meu anjo.
Criança: Mas então se eu continuar não usando o meu poder ela vai me ver algum dia?
Avó: (sorri) Sim, meu anjo. Mas talvez nesse dia você encontre uma outra garota de quem goste mais… E essa garota talvez enxergue você mesmo se você estiver usando o seu super poder. 
Criança: Tem razão, vovó. A Ana senta do meu lado e todo dia me empresta o lápis cheiroso dela. Acho que ela gosta de mim. E ela sempre me vê quando eu estou invisível para a Carlinha. 
Avó: Eu não disse? Sempre vai ter alguém que vai te enxergar quando você for invisível.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Vida Boa

Moro num lugar
Numa casinha inocente do sertão
De fogo baixo aceso no fogão, fogão à lenha ai ai
Tenho tudo aqui
Umas vaquinha leiteira, um burro bão
Uma baixada ribeira, um violão e umas galinha ai ai
Tenho no quintal uns pé de fruta e de flor
E no meu peito por amor, plantei alguém
Que vida boa ô ô ô
Que vida boa
Sapo caiu na lagoa, sou eu no caminho do meu sertão
Vez e outra vou
Na venda do vilarejo pra comprar
Sal grosso, cravo e outras coisa que fartá, marvada
pinga ai ai
Pego o meu burrão
Faço na estrada a poeira levantar
Qualquer tristeza que for não vai passar do mata-burro
ai ai
Galopando vou
Depois da curva tem alguém
Que chamo sempre de meu bem, a me esperar. 

Victor & Leo

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Temporada de Suicídio


Esse texto é da minha prima, achei lindo e queria dividir com vocês. Espero que gostem   *-*

       As paredes amareladas, o cheiro amarelo. Um típico apartamento sujo de hepáticas lembranças. Na comprida janela do 12º andar, o homem observava a movimentada avenida lá embaixo sendo lavada pela chuva. Nélio, chamavam-no, estava na altura de seus trinta arrastados anos. Acompanhava as idas e vindas dos carros com seu olhar âmbar, que sabe-se lá desde quando o adquirira. Talvez fossem aquelas paredes amarelas, amarelando os cheiros, sabores, vistas e texturas do homem na janela.
      "Aonde vão com tanta pressa?", pensava consigo, atento ao trânsito. Pressa, aquela palavra que regera a vida de Nélio aos tropeços - e, afinal, é tropeçando que se perde tempo, que se perde o rumo.
      Observou o céu acima; cinza, hostil, sufocante, que chorava pesadas gotas de chuva. Então Nélio abriu os braços. Quis voar alto o suficiente até tocar as nuvens. Lá em cima, ele rasgaria a cortina acinzentada para que o sol parasse com aquela brincadeira de mal gosto de se esconder da gente. Contudo, ele não podia voar. Apenas querer o sol não derreteria o escuro que encobria a cidade.
      E o silêncio. Um vazio ensurdecedor. "Eu quero vozes", seu silêncio pedia.
      Ele precisava de vozes. Um grunhido qualquer, um rasgar de garganta, um sibilar de lábios pacíficos, um mísero murmúrio de boca humana. Entretando, Nélio só ouvia a mudez das paredes amarelas e sussurros inimigos que ele sintetizava dentro da própria mente. Sussurros timbrados que endemoninhavam cada retalho do homem, dizendo-lhe “fracassado”, “rejeitado”, “inútil”, “errôneo”, “irrecorrigível”... “nulo”.
      Nélio fora anulado. Anulado do viver, visto que mal vivia, e anulado de si, que se perdeu em algum lugar de um constante mal-viver.
      Doze andares abaixo os carros continuavam se estreitando por entre as ruas, apressados, imprecisos, violentos; como as ondas de um mar em fúria. Estar a um passo de mergulho é estar a um passo da morte imediata.
      - A um mergulho de distância... – disse ele, a um passo de seu último mergulho.
      - Recolhe-te daí, rapaz! Tu tens braços, não asas – disse uma voz rouca às suas costas.
      Um velho de aparência saudável estava ali, segurando uma pequena cesta de, ao que aparentava, doces caseiros.
      O homem se virou num súbito de susto. Sua perplexidade permitiu apenas que ele resmungasse algo inaudível, algo como meia palavra emendada à metade de outra.
      - Perdeste a língua também? Porque o juízo se perdeu há tempos, se bem posso observar.
      - Quem é o senhor? Como entrou aqui? O que...
      - Menos pressa, meu caro - interrompeu-o o velho. - Sou do 37, aqui ao lado. Não pude deixar de reparar na quietude de teu apartamento hoje. Achei conveniente fazer-te uma visita em nome da boa vizinhança.
      - E como diabos entrou aqui? A porta está trancada.
      - Eu não disse que não estava.
      - Mas... - insistiu o homem na janela, consternado com o velho intruso.
      - Aceitas uma trufa? - interrompeu novamente. - Chocolate suíço. Faz bem pra alma.
      - Não, obrigado. Agora, se o senhor não se incomoda, eu...
      - Na verdade, eu me incomodo - o velho voltou sua atenção à cesta de doces, tranquilamente procurando uma trufa a seu gosto. - Ahá, aqui está a danada! Anda, jovem, pega.
      Nélio impacientou-se. Deu as costas à visão da avenida e coçou a nuca fazendo cara de aborrecido.
      - Escute, senhor, eu realmente não tenho interesse em comprar doces agora. Já pode ir.
      Virou-se novamente para a janela, na esperança de que o tal vendedor de doces não se demorasse a ir embora para importunar outro vizinho.
      - Que lástima estes dias de hoje... tão amargos – disse o velho, levemente despreocupado, como se fosse mais um idoso lamentando sobre as frentes frias que traziam muitas chuvas naquela época do ano.
      - Não posso deixar de concordar – o outro deu de ombros. – Não me recordo de ter visto o senhor por aqui. É inquilino novo aqui do prédio?
      - Não, não... só passo mais tempo lá do que cá. Que tal uma trufa agora, meu jovem?
      Nélio desistira de expulsar o estranho de seu apartamento e apenas apanhou o doce na mão sem dizer nada. Era o hábito. Aceitar qualquer coisa sem questionar, sem nem ao menos querer. Aceitar por inércia o que o mundo lhe botava nas mãos e acatar a política do “tanto faz”, porque tanto faz se você não gosta do mecanismo da vida: ela continua funcionando da mesma maneira, você gostando ou não disso.
      - Aposto que é tão amarga quanto nossos dias – comentou com o vizinho que lhe dera o doce.
      - Amargo és tu com este papo diabético.
      Pôs-se novamente a contemplar a vista da janela, anestesiado por amargura. Era tudo tão cinza lá fora. Tudo tão sujo, opaco, feio. Uma ambulância cruzou desesperadamente a avenida, com as estridentes sirenes ligadas que faziam ainda mais feia a cena.
      E que desperdício era aquela cidade. As mães de lá já não criavam mais seus filhos para soltá-los no mundo, criavam apenas para protegê-los dele; proteção reclusa dentro dos muros de suas próprias casas, porque lá fora era perigoso demais até para se espiar. Tem criminoso, tem gente de má fé, tem crueldade e bala perdida furando testa de gente inocente.
      - Imagina só que coisa louca se a gente pudesse andar na rua sem ter medo – Nélio comentou, como se tivesse deixado um pensamento escapar-lhe acidentalmente pela boca. – Está vendo aquele casal no ponto de ônibus, a moça segurando o bebê no colo? Eles ainda não sabem, mas vão virar reféns de um milhão de medos por causa dessa criança. Dizem que um pequeno como esse daí dá sentido pra vida dos pais. Estranho.
      - Por que tu achas estranho, rapaz?
      - Bom... supostamente a vida já deveria ter sentido antes de um bebê nascer.
      - Supostamente.
      - Acho injusto. É muito fácil a vida perder o sentido. Ela é descompassada, a balança sempre pende pro lado ruim, pro lado das perdas, dos erros, dos danos...
      - Justamente por isso que é muito mais tentador findar os seus dias.
      - Que bom que o senhor compreende isso, só que mesmo assim aqui estamos nós com um papo diabético e uma trufa na minha mão esperando saltar da janela comigo. E não me venha com conversas de suicidas, pouco me importo se eu sou mais um que vai se estatelar no chão por odiar viver, já fique avisado – Nélio disse sem rodeios, desconfiando que viesse alguma espécie de apelo religioso por parte do velho.
      - Muito bem, então. Prossiga.
      - Já terminei de falar.
      - Não me refiro a isto, mente miúda! Eu me refiro à janela. Vai em frente, te jogas duma vez sem cerimônia – então puxou uma cadeira próxima para se sentar. Pousou a cesta de doces no chão, cruzou as pernas e encarou o outro com a mais tranquila das expressões.
      - Devo questionar por que cargas d’água o senhor resolveu me incentivar? – arqueou a sobrancelha, visivelmente confuso.
      - Não deves. Mas podes. Embora não convenha. Pretendes mesmo virar defunto com o chocolate em mãos?
      Nélio resmungou um maldizer qualquer. Que atitude detestável tinha aquele velho.
      - Não. Pode ficar com o doce.
      - Experimenta. Chocolate suíço. Faz bem...
      - ... pra alma. Entendi – emendou Nélio. Provou.
      - E então? Tem gosto de quê?
      - De... chocolate, oras. – Nélio deu de ombros outra vez.
      - Naturalmente. Agora, deixa-me dar um macete a ti: come outro pedaço, devagar e de olhos fechados.
      - Por que de olhos fechados?
      - Por que abertos?! – o velho rebateu. O mais jovem não insistiu e fechou os olhos para provar outra mordida, movido em maior parte, pelo menos agora, pela curiosidade, e não pela inércia do “tanto faz” de outrora.
      Continuava sendo chocolate. Contudo, desta vez, Nélio percebeu que sua textura era incomum; era algo deliciosamente cremoso, porém sem perder sua consistência. O sabor era de tal forma que a língua parecia dançar dentro de sua boca.
      - E agora? – perguntou o velho, os seus olhos em expectativa.
      - É o melhor chocolate do mundo! – surpreendeu-se o outro, deixando escapar um ligeiro sorriso nas feições amarelas.
      - Bom rapaz! O nome disso é degustação. É diferente de simplesmente comer. Com a visão enegrecida, o paladar passa a ser o sentido mais aguçado. Eis o sabor que só pode ser apreciado no escuro!
      - Que boa mão têm esses suíços.
      - Oh, não. É mão nacional, este daí é um caseiro que imita uma marca suíça. Sabes como andam careiras essas coisas de importados... agora, bom moço, degusta esta avenida abaixo que tu querias te espatifar. Feia, não?
      - Muito.
      E como era feia. A terra fora, em sua boa parcela, asfixiada pelo cimento que cobria aquelas ruas de uma ponta a outra. O chuvisco insistente não deixava secar o lixo que a chuva forte trouxera de outros becos. Todo muro e parede erguida ali eram assinados por pichadores anarquistas ou vândalos ociosos da região, que rabiscavam seus ilegíveis dizeres como homens das cavernas faziam nos tempos remotos, contanto sobre suas caças. Não raro, era possível ver camadas espessas e cinzas flutuarem acima das cabeças das pessoas que passavam por ali; mas Nélio já não sabia mais se aquilo eram concentrações perigosas de gases poluentes ou se eram artifícios de sua imaginação, que há muito estava habituada a ver tudo tingido a grafite.
      - São tantos olhos para pouca cor – disse Nélio, dizendo por dizer.
      - E quem disse que eu falei das cores? – retrucou o outro. – Fecha os olhos outra vez.
      Nélio obedeceu. Foi apenas quando escureceu a vista que se deu conta que entrava uma brisa reconfortante pela fresta daquela comprida janela. Uma brisa fresca, atípica de ares urbanos. Talvez fosse o grande parque de pinheiros ali perto (o pouco que o cimento não asfixiou), que mais parecia um coador de café: coava o ar residuoso para que chegasse em bom estado à janela de Nélio. Sentiu a brisa trazer um pouco de tranquilidade e um bocado de vida aos pulmões. Lembrou-se de sua infância, uma época sem dissabores. Ele costumava tomar chocolate quente no inverno da serra, quando visitava seus avós. Era o melhor chocolate do mundo...
      - Percebe – o velho disse. – como tudo na vida se trata de sabor, e não do que se vê?  Veja como tudo é mais saboroso no escuro! Tu não odeias viver, meu caro. Pelo contrário, amas demais a vida. Amas tanto, mas tanto, que sabes quais são os melhores sabores e queres prová-los em tempo integral. Acontece que é difícil degustar vendo toda esta podridão, não é mesmo? Tantos outros amantes da vida se foram, pensando odiar aqui mais que tudo, quando, na verdade, amavam em demasia. Morreram justamente porque viram tudo o que havia de bom e não tinham. Morreram porque viram amor, alegria e paz e não conseguiram ter nada disso para si. Morre-se muito por amor hoje em dia.
      O silêncio voltou. Desta vez, porém, ele não pedia vozes. Apenas preencheu um espaço em que não carecia que algo mais fosse dito. Nélio não soube dizer quanto tempo passou na janela, com os olhos fechados, vendo no escuro. Também não soube dizer que rumo tomara o vizinho intruso do 37. Ele simplesmente deixara Nélio para trás, sorrateiramente, sem um singelo “até logo”.
      - Dona Iolanda? – Nélio chamou a faxineira do prédio que estava no corredor. Ele estava andando feito barata tonta à procura do vizinho. – O senhor aqui do 37 passou por aqui?
      - Do 37? Acho que o senhor se confundiu, seu Nélio. Não mora ninguém no 37.
      - Mas viu algum senhor passar por aqui? – ele insistiu. – Com uma cesta de doces? – e foi nesse instante que Nélio notou que Dona Iolanda carregava uma caixa de papelão recheada de pequenos embrulhos coloridos.
      - Não vi, não... mas tome aqui, seu Nélio, já que está procurando doces! – ela enfiou a mão na caixa e sorteou um dos embrulhos coloridos. – Uma trufa para o senhor. Mandaram distribuir aqui no prédio. Chocolate suíço, conhece?
      - Conheço, sim. Faz bem pra alma.  
Jéssica Damas

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sensações

Eu me perdi, perdi você
Perdi a voz, o seu querer
Agora sou somente um,
Longe de nós, um ser comum
Agora eu sou um vento só, a escuridão
Eu virei pó, fotografia, sou lembrança do passado
Agora sou a prova viva de que nada nessa vida
É pra sempre até que prove o contrário
Estar assim, sentir assim
Um turbilhão de sensações dentro de mim
Eu amanheço, eu estremeço, eu enlouqueço
Eu te cavalgado em baixo do cair da chuva,
Eu reconheço
Estar assim, sentir assim
Um turbilhão de sensações dentro de mim
Eu me aqueço, eu endureço, eu me derreto, eu evaporo
E caio em forma de chuva, eu reconheço
Eu me transformo...


  (Paula Fernandes - Sensações)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Deus, salve esse ateu!!

Eu estava navegando na internet e achei esse texto escrito por uma professora paulista. Existem erros de português que são de doer os "óio" hahaha.

Em um trabalho sobre narratividade com uma turma de 6º ano, vejam o que precisei ler (dei boas gargalhadas - essa é a verdade): "ELES FICARÃO DOIS DIA NO CRUZEIRO QUADO ELES CHEGARÃO NO AVAIM (Alguém aí sabe onde fica?) ELES CASARAM O ATEU MELHOR"
Claro que fiquei espantadíssima e tentando imaginar por que cargas d'água alguém iria querer casar melhor um pobre ateu! (Será que o casamento dele ia tal mal assim?!) Só depois de ler/decodificar o trecho "DEPOIS DUAS HORAS DE PROCURA ELES ACHARAM UM OTEU QUOU(?!) APARTAMETO COM QUATRO CARTOS..." Consegui compreender que o tal "ateu" era, na verdade, um HOTEL!!!
Foi difícil reproduzir tudo isso aqui: errei, quer dizer, acertei várias vezes e precisei apagar para reescrever do jeitinho que está escrito no "texto"... CASAR O ATEU pois, deve ser lido como um simples e singelo "procurar um hotel"...    PROFESSORA DANIELA - SP

Eu selecionei algumas placas com os erros mais engraçados e algumas um tanto inusitadas.





segunda-feira, 27 de junho de 2011

Medo ou Amor?

Eu acho esse texto bem interessante. Nos faz refletir sobre certas concepções que temos. Beijos  =*



MEDO OU AMOR?

19/12/2007

Assim como dois caminhos não podem ser seguidos ao mesmo tempo por uma única pessoa, duas escolhas sobre um mesmo tema não podem ser feitas.
Aquele que vai à guerra por sentir-se cumprindo seu dever patriota, não pode, ao mesmo tempo, ficar ao lado da esposa e de sua família.
Quem escolhe continuar, não pode, simultaneamente permanecer. A vida é uma constante troca de uma coisa por outra e é importante aceitar isso.
Quando o caminho bifurca e o destino faz uma pergunta, qual a melhor escolha?
Em qualquer espaço ou tempo, pergunte-se: “O que o amor faria?”
A resposta a esta pergunta poderá tirar-lhe do ardor de diversas consequências advindas de uma escolha mal feita. O amor cabe em qualquer lugar e hora, permanecendo como a mais acertada forma de ser e fazer feliz.
Qualquer outra escolha que não seja por amor, certamente será por medo. Você está se perguntando: “Medo?”.
Se o medo de perder o que nem é seu se chama ciúme, o amor ao direito de simplesmente escolher estar ao lado chama-se liberdade. Se o medo de admitir que você também erra chama-se rancor, a amorosa visão de que ninguém é melhor que ninguém chama-se perdão.
Se formos pensar, tudo o que não nos faz bem são medos disfarçados e tudo o que nos torna melhores e felizes é o amor.
Medo de si mesmo é não gostar-se e aí, é bom saber que você pode reinventar-se a todo momento. Amor por si mesmo é gostar-se e aí, a energia contagiante de fazer com que todos ao seu redor sintam-se atraídos por você, chama-se auto-estima.
O que você tem escolhido? Na hora de viajar, por exemplo, pergunte-se: Estou deixando de ir por medo, estou indo por medo, estou ficando por amor ou estou indo por amor? E lembre-se, amor é algo que só pode existir, quando antes existe por você próprio. Ame-se mais para amar mais. Não ama, apenas acha que ama, aquele que diz que ama mas nem sabe o que é amor próprio.
Medo ou amor? A escolha é sua e cada segundo de sua vida lhe perguntará isso.


Autor: Victor Chaves